"O Brasil tem fome de ética e passa fome em conseqüência da falta de ética na política" [ Betinho ] Depois de um "hiato", voltei!
Tô aqui do outro lado do Oceano Atlântico, mas acompanho tudo o que se passa desse outro lado aí. Tem coisas que sei antes do meu povo saber. Não porque tenho um fuso de 4 horas a mais, mas porque vou atrás.
Uma das coisas que tenho acompanhado são as campanhas eleitorais. E que tristeza, viu?! Nunca se jogou tão sujo na política. O que se percebe são conluios e conchavos absurdos. Perdeu-se a ética e a identidade partidária. Antes se sabia quem eram os petistas, os pmdebistas...Hoje o político troca de partido, como o jogador troca de time de futebol. Só que o futebol não é responsável pelo futuro do nosso país, ele apenas faz parte do fator "circo".
Falar de política é um tanto quanto complicado. Ainda mais pra mim, que sei tanto quanto religião ou futebol. Mas sei, observo, analiso, opino, crítico e aplaudo, se merecer. Como aplaudi a candidata Marina Silva, pela sua campanha limpa e transparente. Aplaudi, também, os quase 20 milhões de eleitores que votaram conscientes; sem influência de voto cabresto ou bolsa disso ou daquilo. Não estou aqui para depreciar o governo Lula. Até porque fui uma das "formiguinhas responsáveis por sua vitória em seu primeiro mandato. Mas aí vieram as meias, cuecas, malas e mensalões e o medo venceu minha esperança, na campanha para o seu segundo mandato.
Não sou chegada à Dilma. Ela tem um "quê" de Odete Roitman. A começar pelo corte de cabelo e vestimentas. Ar de prepotente, de "quero-mando-e posso". Não gosto! Assim como também não gosto desse apoio descarado do presidente Lula. Onde já se viu um cabo eleitoral como esse?! Foi-se do populacho ao esculacho. Parece que princípio da imparcialidade já não existe e a ignorância dos que preferem a ignorância, finge não perceber o que está a acontecer.
Do Serra, eu esperava mais. Achei ele apático, abatido no primeiro turno e quando resolveu acordar no segundo, começou a usar artifícios que não condizem com sua inteligência. Mas melhorou - e muito – sua linguagem; que antes tinha um tom muito “cabeça”,até para os mais cabeças.
Mas bom mesmo era ver Marina. Pena que o brasileiro prefere a estética à ética. E não diga que essa afirmativa não é verdadeira, porque no fundo a gente sabe que é! Basta fazer uma retrospectiva do presidente Lula, nas vezes em que ele candidatou-se à presidência. Na época em que ele usava aquela barba "à lá" Brutus, aquelas camisas surradas, que combinavam com as calças e sapatos de solas gastas, não era tão levado à sério. Foi preciso ele fazer uma visita à barbearia mais próxima e vestir ternos do estilista Ricardo Almeida, pra ser visto como um candidato propriamente dito.
O mesmo aconteceu com a Dilma, que para tirar aquela aparência de Margareth Tatcher, optou pelo bisturi. Mas a aparência carrancuda ficou. Ela bem que poderia ter amenizado sua imagem apresentando a família. Aliás, ela deveria ter-se apresentado, porque até esse presente momento pouco se sabe a seu respeito. O que se sabe dela é o que se recebe através de e-mails difamatórios, em que ela é taxada de guerrilheira, assaltante de banco e outras coisas mais. Não se sabe se Dilma participou das Diretas Já, se já foi deputada, prefeita, vereadora, líder comunitária, senadora. O que se sabe sobre ela, é que já foi ministra do governo Lula e que ocupou alguns cargos burocráticos. Ela nunca veio à público se apresentar de verdade.
Já Marina Silva foi ela, mostrando um ar de idoneidade não intencional, transbordou autenticidade. E aquela bandeira levantada pelo presidente Lula, em que o "analfa de pai e beta de mãe", pode chegar à presidência, jamais fora perpetuada por ela. Pelo contrário! Ela provou, que só com conhecimento, vai-se além.
Dia 31 de Outubro tá próximo. Muitos foram os acontecimentos. Analisemos tudo o que se passou nessas campanhas. De Erenice a Paulo Preto. De bolinhas na careca do Serra à panfletos difamatórios contra Dilma. De dados fiscais violados na Receita à legalização do aborto. Analisemos. E escolhamos o menos pior.
* Agradecimentos: Isabella Bogéa.